Publicado por: clezius | junho 7, 2008

A tragédia de Gërdec – Albânia

A tragédia de Gërdec – Albânia

 

 

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Líder evangélico albanês testemunha sobre a tragédia que marcou a história da vila de Gerdec, no dia 15 de março deste ano. Confira!

Para os moradores do vilarejo de Gërdec, localizado há oito quilômetros de Tirana, capital da Albânia, o dia 15 de março de 2008 nunca mais será esquecido. Embora as explosões dos paióis (depósitos de munições) tenham sido sentidas dentro de um raio de vinte quilômetros e ouvidas a duzentos quilômetros, o que foi presenciado pelos habitantes das regiões atingidas é inacreditável. Genti Proseku (à direita), líder albanês da Igreja Evangélica Palavra da Vida de Tirana, relata o que ele presenciou com os próprios olhos, e fala sobre o que ele ouviu de alguns moradores. “Encontrei simples camponeses imensamente abalados, chocados e traumatizados.

Meus olhos testemunharam de perto como aquelas chamas infernais engoliram tudo que encontrara pela frente. Enormes crateras foram formadas. Minha casa que fica há três quilômetros foi danificada e eu, minha esposa e filhos fomos jogados ao chão.”

Este é o quadro caótico de Gërdec, Marqineti, Vorë, Marikaj, Vlashaj e outros vilarejos . “Muitas casas, mercearias, lojas e prédios foram varridos. Várias casas foram completamente destruídas, outras terrivelmente danificadas. O solo perdeu a fertilidade e tornou-se perigoso devido à quantidade imensa de cinza tóxica que ficara espalhada por toda parte. Projéteis foram encontrados há dois quilômetros dos estouros. Gados, aves e vários animais domésticos mortos. Pomares, campos e árvores foram transformados em um grande terreno baldio. Essas foram algumas das consequências que constatei de imediato (em minha primeira visita ao local). No entanto, a maior destruição não pode ser registrada com câmeras de vídeo e por meio de fotografias, porque esta se encontra nas almas dos homens, mulheres e crianças que viram a morte passar bem perto no dia da tragédia.”

Genti conta que, enquanto passava ao lado de uma casa (à esquerda), um homem se aproximara dele em lágrimas e com muito esforço este tentava explicar-lhe com muita dor a triste história da família que outrora morara naquela casa. O camponês contara que, no momento da primeira grande explosão, duas cunhadas correram ao encontro de seus filhos pequenos e começaram a correr. Em meio às sucessivas explosões menores, enquanto fugiam, juraram uma à outra que se alguma delas morresse criaria o filho da outra. Acontece a segunda grande explosão. Ambas correndo de mãos dadas são lançadas violentamente ao chão pelas ondas do grande estrondo. Uma delas tenta encontrar a mão da companheira para que continuem em frente, quando deu-se conta que sua cunhada havia sido atingida no peito por um grande projétil explosivo, o qual despedaçara todo seu corpo. Seu filho também fora atingido. Naquele momento dramático, a sobrevivente vê seu menino de seis anos, Edison, em chamas. Desesperada e muito ferida ela tenta apagar o fogo do corpinho do garoto. O coloca nas costas e segue rumo a Vorë, outro vilarejo próximo. Enquanto o carregava ouvia sua voz fraca ao ouvido: “Mami, deixe-me morrer aqui.” Mas a mamãe não desistiu em tentar salvá-lo. O pequeno Edison teve 75% do corpo queimado. Fora levado para a Itália, de onde, três dias depois viria a notícia que ele não havia resistido. Sua mãe ficara vários dias no hospital devido às sérias queimaduras e profundas feridas provocadas pelos estilhaços das munições.

Uma brasileira com cidadania albanesa, que vive entre os albaneses por mais de vinte anos, disse que sentiu o solo sair de seus pés. “Nós que estávamos há dez quilômetros sentimos um tremor como de um terremoto. Imagine aqueles que estavam mais perto?”, disse. Foi o SENHOR que os guardou. O que dizer? O que fazer? Vale muito a oração de um justo. Ore pela Albânia.” Termina.

O irmão Genti mobilizou “seu rebanho” para colocar o amor cristão em prática. Conseguiram doações de alimentos e roupas, arregaçaram as mangas e foram a Gërdec e circunvizinhanças ao encontro das famílias prejudicadas. Nesse ínterim, Genti encontra Jetmir (lê-se Ietmir), 12 e Bledar, 13 (à esquerda). Timidamente eles se aproximam e começam a contar-lhe sua experiência. No dia fatídico, ambos estavam trabalhando numa oficina de peças usadas (hoje resta apenas um terreno vazio). Quando perceberam as primeiras chamas no ar ao redor, correram para a mata. A primeira explosão os jogou uns seis metros à frente. “Fiquei inteirinho coberto de terra,” disse Jetmir. Mesmo assim continuaram a corrida traumatizante pelas matas e colinas. Finalmente encontram um túnel onde puderam acostar-se e sentir-se protegidos. No entanto, só depois de seis horas foi que as equipes de resgate puderam encontrá-los com mais outras quinze pessoas. Todas elas foram transportadas de helicóptero para o centro de Tirana. A irmãzinha de Jetmir foi encontrada por soldados do exército amedrontada e em estado de choque, depois de ter ficado dois dias escondida no poço de sua casa. 

Muitas outras histórias comoventes como essas foram contadas ao jovem pastor, que disse não ter conseguido dormir por várias noites. “Como poderia dormir, enquanto as famílias de Gërdec e Marqineti passavam noites frias, debaixo de chuva e sem energia elétrica em barracas armadas ao lado de suas próprias casas? Casas essas construídas com o suor de seu trabalho. O que estamos fazendo juntos com outros irmãos de outras igrejas, é levar um pouco de esperança para esses desesperançados. Sempre que podemos levamos mais que alimentos, ajuda médica e água.  Levamos o amor de Cristo e Sua vida real por meio de nossas atitudes e da comunicação da Palavra de Deus.”

Os próprios camponeses diziam que, até aquele momento, nada havia sido feito por parte do governo para tentar aliviar um pouco seu sofrimento. Sendo assim, muitos mostraram-se gratos pelos esforços demonstrados pelos cristãos evangélicos, não apenas ajudando com donativos, mas pelo simples fato de desejarem sentar-se com eles, ouvindo-os, consolando-os e até compartilhando da mesma refeição.


Entenda a Tragédia na Albânia

Durante o período do governo comunista, que terminou em 1990, houve na Albânia a construção de vários armazéns de munição em todo o país. Diante do desejo da Albânia de entrar na OTAN, a organização pediu ao governo albanês para concentrar a munição mais antiga em Gërdec, a fim de que fosse destruída.

Local:
Gërdec, oito quilômetros de Tirana – (Cerca de 3.000 toneladas de munição antiga de artilharia em uma fábrica de destruição de armas e munições começaram a explodir em sequência.) Vários outros vilarejos foram atingidos.

Data e hora: O incidente foi registrado às 11h50 (7h50 de Brasília) do dia 15 de março. Um canal local de televisão afirmou que havia projéteis espalhados em um raio de dois quilômetros. As detonações ocorreram durante duas horas, já que o incidente inicial causou uma seqüência de explosões, mas de menor intensidade.

Consequências: Dezenas de mortos, muitos desaparecidos e mais de 250 feridos. Entre os feridos houve vários funcionários de uma companhia americana contratada pela OTAN para desativar munição antiga. Cerca de 50 pessoas da localidade afetada que buscavam abrigo após a explosão poderiam ainda estar presas nos escombros, segundo a imprensa local.

Causa: Ainda em processo de investigação. Até o momento a imprensa albanesa divulgou que a maioria dos trabalhadores albaneses eram mulheres (e até crianças) sem nenhum tipo de treinamento. Moradores chegaram a dizer que, além das condições dos armazéns serem precárias, muitos  fumavam dentro das instalações, mesmo sabendo do risco que isso implicava.

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Fale com a Secretaria de Missões de nossa igreja. Tel.: (31) 3421-4105, 8402-6366.

 
::Por Ricardo Pessoa / Correspondente – Ásia

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